domingo, 19 de maio de 2013

Um Diego arrependido

Diego era um menino cheio de planos. Conheceu muito cedo a vida noturna e acostumado a ir em muitas festas, conheceu muitas pessoas. Se envolveu com várias delas e se decepcionou muito com o passar do tempo. Cansado de ser usado feito um brinquedo, nasceu um desejo em ter alguém pra si... Alguém com quem ele pudesse ficar numa festa hoje e tivesse a certeza que no dia seguinte iriam ao menos atender o seu telefonema. Alguém que te beijasse agora e continuasse com você até a festa acabar ao invés de encontrar o mesmo que você beijou beijando outro enquanto você foi ao banheiro. Bastava qualquer desculpa esfarrapada e encontraria o infeliz já atracado com outro por aí. Diego desejava um amor, carinho, afeto e não apenas sexo. Ele queria alguém que ele pudesse chamar de seu. A vida acabou lhe proporcionando isso quando colocou em seu caminho o Guilherme. Guilherme era tudo o que ele sempre sonhou. Atencioso, prestativo, carinhoso, companheiro e tinha como qualquer outra pessoa normal os seus defeitos aqui e acolá. Ali nasceu um namoro lindo. Diego chegou a pensar; achei o cara com quem quero passar a minha vida. Eles iam ao cinema, passeavam, iam a praia, conversavam, tomavam cerveja, comiam hambúrguer no estacionamento do Mc´Donalds e se completavam. O amor apareceu como um passe de mágica. Mas então a realidade mudou quando a senhora rotina fez o favor em bater na porta do coração dos dois. Diego olhava para seus amigos solteiros, lembrava da liberdade do qual ele gozava. Diego via a euforia de seus colegas e ouvia todas aquelas histórias e sentia inveja. Sentia saudade de quando saia com todas aquelas pessoas, sentia saudades de olhar todos aqueles corpos sem se culpar por nada. Sentia saudade de provar todas aquelas bocas e sentir todos aqueles perfumes diferentes. Começou então a distratar Guilherme. A insatisfação era tanta que começaram as grosserias e ignorâncias. A vontade de Diego de voltar a ter a vida que ele tinha era tão forte que ficou com raiva de Guilherme. Terminou por fim com aquele relacionamento pois se achava jovem demais para ficar preso naquele namoro. Diego pensava que ainda tinha muito o que viver. Guilherme não entendia e chorou muito. Em vários momentos ele parou diante do espelho, com as lagrimas nos olhos, questionando-se o que ele tinha feito de errado. Coitado, nada havia cometido. Guilherme era apenas a materialização do desejo mais profundo que Diego sentia. Ele apenas não entendia o que estava acontecendo. Diego feliz da vida voltou a ter a vida que tinha antes. Voltou a aproveitar a tal liberdade conversando com várias pessoas, sentindo todos aqueles perfumes e tendo na sua vida aqueles novos horizontes. Mais que depressa esqueceu aquele menino bonzinho que namorou durante um tempo. Muita festa, muita alegria, muitas bocas e logo ela voltaria para cobrar o que sempre cobra. Eis que ela voltou. A senhora rotina voltou a atormentar a vida de Diego. Ele depois de ter aproveitado ao máximo aquela vontade, ficou cansado de chegar em casa bêbado, descabelado e sozinho. Sentiu falta do colo que ele tinha sempre que necessário. Diego percebeu que havia cometido um erro pois tudo aquilo que lhe machucou um dia voltou a lhe ferir intensamente. Guilherme depois de chorar muito e não entender nada, passou a sentir raiva de Diego. Saiu por ai enlouquecido e disposto a se tornar simplesmente mais um! Não por ninguém, mas por ele mesmo. Toda aquela bondade que Guilherme carregava consigo foi sendo substituída por ódio por não entender o que estava acontecendo e a essa altura pouco importava. Guilherme se corrompe e passa a levar a mesma vida que Diego sem saber o que Diego sentia ou pensava, pois os dois já não conversavam mais e toda aquela amizade morreu. Diego estava com saudades e se perguntava o que havia acontecido com Guilherme. Um belo dia, Diego observa em uma de suas festas a entrada de Guilherme... Aquele cara maravilhoso que ele acabou mandando embora. Guilherme estava lindo, arrumado e cheiroso. Diego não deixou de perceber como as pessoas o olhavam e como ele estava rodeado de amigos e pessoas atraentes. Diego percebe que criou um monstro e se arrepende. Se arrepende tanto que volta a ter os mesmo desejos de quando não o conhecia, pois percebe que perdeu o que tinha de mais precioso na vida. Pena que era tarde demais... Guilherme passou por ele e nem se quer o olhou.


Um comentário:

Angelo Augusto Paula disse...

Haverá sempre um caminho à frente. Nós somos nós e nossas circunstâncias. O profundo que nos toca modifica o outro e nasce mais uma nuance: o outro e suas circunstâncias. Você não criou um monstro. Ele apenas arranjou um jeito de lidar com a própria dor e seguir. Todos nós erramos, se é que há certo e errado. Prefiro acreditar que a vida faz a curva. Olhar a viagem pelo para-brisa ou pelo retrovisor é uma opção nova.

Força.

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