segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mágoas...


Ele nem entendia o porque se sentia assim. Estava amando como nunca amou ninguém na vida. Sentia-se amado de tal maneira que não pairava no ar qualquer vestígio de dúvida. Era real, verdadeiro, sentia saudades a todo instante, sentia o cheiro, sentia o doce beijo molhado. Mesmo em meio a turbilhões de caricias e agrados, sentia-se magoado. A mágoa surgia em meio a sentimentos nobres como o amor. Surgia em momentos gostosos como a saudade, que lhe acometia a todo instante. A mágoa estava tomando tudo e ocupando todo o espaço. Já não havia mais aquele interesse ou aquela importância. Tudo estava fora do lugar e não foi culpa de um ou do outro! Até na desordem caminharam de mãos dadas e fizeram tudo acontecer juntos. Ele chegou a pensar que além das atitudes os sentimentos também haviam mudado. Precisou mais uma vez do silêncio para lhe responder o caminho de tantas outras faces até ali desconhecidas. Estavam fora de sintonia, estavam fora de si. O amor não mais os tornara o melhor que podiam ser mas sim o necessário. Mas o básico não cabia entre os dois, era um jogo de tudo ou nada...

Era um jogo de mágoas, mágoas Brancas.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

CARTA PUBLICADA NO ESTADÃO

Estimado presidente, assisti na televisão, anteontem, o trecho de seu discurso criticando o Poder Judiciário e dizendo que V. Exa. e seu amigo Márcio, ministro da Justiça, há muito tempo são favoráveis ao controle externo do Poder Judiciário, não para 'meter a mão na decisão do juiz', mas para abrir a 'caixa-preta' do Poder. Vi também V. Exa. falar sobre 'duas Justiças' e sobre a influência do dinheiro nas decisões da Justiça. Fiquei abismado, caro presidente, não com a falta de conhecimento de V.Exa., já que coisa diversa não poderia esperar (só pelo fato de que o nobre presidente é leigo), mas com o fato de que o nobre presidente ainda não se tenha dado conta de que não é mais candidato. Não precisa mais falar como se em palanque estivesse; não precisa mais fazer cara de inconformado, alterando o tom da voz para influir no ânimo da platéia. Afinal, não é sempre que se faz discurso na porta da Volks. Não precisa mais chorar. O eminente presidente precisa apenas mandar, o que não fez até agora... Não existem duas Justiças, como V. Exa. falou. Existe uma só. Que é cega, mas não é surda e costuma escutar as besteiras que muitos falam sobre ela. Basta ao presidente mandar seu amigo Márcio tomar medidas concretas e efetivas contra o crime organizado. Mandar seus demais ministros exercer os cargos para os quais foram nomeados. Mandar seus líderes partidários fazer menos conchavos e começar a legislar em favor da sociedade. Afinal, V. Exa. foi eleito para isso. Sr. presidente, no mesmo canal de televisão, assisti a uma reportagem dando conta de que, em Pernambuco (sua terra natal), crianças que haviam abandonado o lixão, por receberem R$ 25,00 do Bolsa-Escola , tinham voltado para aquela vida (??) insólita simplesmente porque desde janeiro seu governo não repassou o dinheiro destinado ao Bolsa-Escola . E a Benedita, sr. presidente? Disse ela que ficou sabendo dos fatos apenas no dia da reportagem... Como se pode ver, Sr. presidente, vou tentar lembrá-lo de algumas coisas simples. Nós, do Poder Judiciário, não temos caixa-preta. Temos leis inconsistentes e brandas (que seu amigo Márcio sempre utilizou para inocentar pessoas acusadas de crimes do colarinho-branco). Temos de conviver com a Fazenda Pública (e o Sr. presidente é responsável por ela, caso não saiba), sendo nossa maior cliente e litigante, na maioria dos casos, de má-fé. Temos os precatórios que não são pagos. Temos acidentados que não recebem benefícios em dia (o INSS é de sua responsabilidade, Sr. presidente). Não temos medo algum de qualquer controle externo, Sr. presidente. Temos medo, sim, de que pessoas menos avisadas, como V. Exa. mostrou ser, confundam controle externo com atividade jurisdicional (pergunte ao seu amigo Márcio, ele explica o que é). De qualquer forma, não é bom falar de corda em casa de enforcado. Evidente que V. Exa. usou da expressão 'caixa-preta' não no sentido pejorativo do termo. Juízes não tomam vinho de R$ 4 mil a garrafa. Juízes não são agradados com vinhos portugueses raros quando vão a restaurantes. Juízes, quando fazem churrasco, não mandam vir churrasqueiro de outro Estado. Mulheres de juízes não possuem condições financeiras para importar cabeleireiros de outras unidades da Federação, apenas para fazer uma 'escova'... Cachorros de juízes não andam de carro oficial. Caixa-preta por caixa-preta (no sentido meramente figurativo), sr. presidente, a do Poder Executivo é bem maior do que a nossa. Meus respeitos a V. Exa... e recomendações ao seu amigo Márcio. P.S..: Dê lembranças a 'Michelle'.
(Michelle é cachorrinha do presidente que passeia em carro oficial)
Ruy Coppola, juiz do 2.º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, São Paulo
Nota: Respeitável postura e coragem do Juiz Ruy Coppola! É bom saber que no judiciário brasileiro existem servidores dispostos a trabalhar firme além de defender a nossa categoria!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Silêncio!



Para você que busca algo... Quando foi a última vez que você encontrou o silêncio? Você se recorda? Você conhece o silêncio?
Às vezes esquecemos de ouvir a nossa própria voz! A voz da alma, o grito divino, o chamado. O mundo faz muito barulho, as pessoas fazem muito barulho, a musica toca alto! Pare nesse instante feche os olhos por um minuto e ouça o que está a sua volta.
Escuta?
Escuta a TV aí do lado? Escuta o cooler do seu computador? Escuta o alerta do msn tocar? A sua mãe ao telefone, seu irmão, pai... que música está tocando nesse instante em seu computador? Carros? Vizinhos?
Você consegue perceber?
E o mais importante você tem escutado? Você tem escutado puramente você? E o seu coração, você o ouve? Você tem se dado tempo? Tem refletido? Tem analisado seus atos?
Quem é você? Você já não se lembra mais?
Onde estão os seus referenciais?
Você se sente perdido ou está se perdendo?
O mundo com tanto barulho chama a sua atenção e você o escuta atentamente. Escuta tanto que não ouve a sua própria voz gritar por você... ninguém ouve!
Uma luta entre você e o mundo!
Mas talvez o mundo nem seja assim tão barulhento...
Talvez você tenha apenas perdido o foco!
Perceba-se.

Silêncio
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